segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

LOGÍSTICA DA CHINA, NA CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL EM 10 DIAS.


Semana passada o assunto geral foi a China vai construir um hospital em 10 dias. Muitos influenciadores comentaram que construir um hospital em 10 dias não é uma tarefa fácil, imagine construir um hospital de 25 mil m². Mas se tratando de uma situação de extrema emergência a China não brinca em serviço.

Prazo estipulado inicialmente era para o dia 03/02, porem a obra foi finalizada no dia 02/02/2020, ou seja, o prazo que já era insanamente apertado não só foi cumprido como também foi antecipado em um dia, tudo isso para atender os infectados pelo coronavírus que vem crescendo exponencialmente no mundo todo, mas afinal qual é o segredo dos chineses, como eles constroem tão rápido assim.






Bom primeiro ponto é o planejamento, por ser um país em constante evolução é natural possuir um plano de emergência, como foi o caso da construção do hospital em Wuhan. Esses planos são elaborados por muito tempo de antecedência, pois caso algo de ruim venha acontecer como uma guerra ou nesse caso uma epidemia grave, eles possam ser executados o mais rápido possível pois tudo foi pensado e planejado com muita antecedência e atenção aos detalhes.

O segundo ponto é o método construtivo, a china tem uma engenharia das mais avançadas do mundo, desenvolveram um sistema de pré-fabricados modulares que podem servir tanto para uma simples casa ou para um edifício de 30 pavimentos, esse sistema modular pode ser ajustado para qualquer tipo de edificação, foi justamente o que aconteceu na construção do hospital.

Uma vez construída as fundações e só encaixar os módulos e realizar as instalações auxiliares como energia, água e gás.

Por isso, os responsáveis pela obra utilizaram uma planta do Xiaotangshan, um hospital construído em 2003 para tratar de pacientes do SARS – outro vírus epidêmico que causou centenas de mortes no país. Assim, toda a etapa de projeto foi dispensada.



O terceiro ponto é em relação a burocracia, a China é um dos poucos país reconhecidamente comunista onde o governo tem controle quase total em todo território, ou seja, a liberação de uma área para a construção de um hospital por exemplo pode ser feita de forma imediata por mais que essa propriedade pertença uma pessoa ou empresa privada, assim a execução dos planos de construção pode começar imediatamente.

Apenas como curiosidade, apesar de ser um pais comunista a China, não tem um sistema universal de saúde, todos os cidadãos chineses devem pagar pelo seu atendimento ou ter um seguro privado pois ao contrario simplesmente não são atendidos nesses hospitais. O que não faz muito sentido dentro da teoria desse sistema de governo.

O Quarto ponto a ser observado é a mão de obra, a quantidade de mão de obra, a quantidade de pessoas trabalhando no hospital impressiona qualquer empreiteiro ocidental, são milhares de trabalhadores atuando dia e noite para execução dos planos de projetos, o que nos faz pensar na equipe de gerenciamento dos trabalhadores, pois gerenciar uma equipe de 50 pessoas, já é difícil, imagine gerenciar 5, 10 mil trabalhadores, não sendo uma tarefa nada fácil.





Muitas pessoas acreditam que essa construção não é nada de impressionante por se tratar de uma edificação pré-fabricada, como esse hospital de campanha, mas pela visão de alguns especialistas da construção civil esse evento é fantástico, pois o nível de controle e planejamento de uma obra desse porte em tão pouco tempo é algo muito mais complexo do que imaginamos, por que? Uma construção ainda que modular, precisa de obras de infraestrutura como esgoto por exemplo nesse caso do hospital foi construído literalmente do zero em 4 dias.





E por último o quinto ponto a ser observado é a quantidade de equipamentos que foram locados para realização da montagem do hospital. Plano de ataque logístico nas divisões dos equipamentos e frentes de serviço.

Para cada conjunto de duas torres foram posicionadas duas bombas lanças para realizar todo o processo de concretagem do piso, durante esse período as escavadeiras foram preparando a outra parte da terraplanagem.

Seguindo uma sequência construtiva, foram posicionados em cada corredor dois guindastes onde estes muitas vezes se intercalavam com as equipes do período noturno. Por exemplo em uma sequência de posicionamento de 100 módulos no período da manhã e tarde eram posicionados com dois guindastes 50 módulos, os outros 50 módulos eram posicionados com uma outra equipe noturna utilizando os mesmos guindastes, tendo como garantia um terceiro guindaste de apoio nas extremidades. Foram utilizados aproximadamente 26 guindastes, 80 retroescavadeiras, 12 bombas lanças que se intercalavam, 20 tratores esteiras, 10 caminhões comboios para abastecimentos dos equipamentos, 16 muncks para transporte de peças menores, carretas e uma grande quantidade de betoneiras levando cada uma 8m³ cada e outros equipamentos de pequeno porte.







Uma das estratégias montadas pelo chefe Zhang Chongxi  da construtora Wuhan Construction, foi realizar as atividades com terminalidade e sequência executiva, sem permitir retorno para correções em tarefas já executadas, posicionamento estratégico dos equipamentos evitando deslocamentos desnecessários e ganhando-se tempo. Toda a obra foi bem planejada, projetada e elaborada, garantindo um sinal de economia e principalmente da otimização da obra.
Outro benefício no planejamento estratégico, foi evitar o desperdício, uma vez que os materiais estocados, serão alocados de maneira correta, ou seja, com a quantidade correta que será usada durante a construção. Evitando, assim, desperdícios de materiais e insumos. Para isso ocorrer com maestria, os engenheiros  sempre atento em relação a coordenação de sua frente de serviço, buscando objetivo único.
Sendo assim, por mais que as pessoas pensem ser desnecessário o estudo do canteiro de obras, esse tipo de obra da China nos mostra uma verdadeira aula de como é necessário o planejamento detalhado da micro logística nos canteiros e demais disciplinas.



Enfim essa foi a China novamente batendo recordes.





terça-feira, 21 de agosto de 2018

Abasteça a frente de serviço! E aumente a sua produtividade na obra.


Dentre várias obras sempre tem aquela que se destaca, seja por uma nova tecnologia implantada, método construtivo, inovação e tem aquela que se destaca pelo fato da obra focar em uma atividade que agrega valor à produção.  Em 2014 participei de um projeto de ampliação de um shopping no interior de São Paulo com metragem total de 77.162m², onde atuação da área de logística foi bem objetiva dando foco em um dos problemas mais comum em obra que é justamente o abastecimento das frentes de serviço, que nada mais é, planejar para abastecer.
                             Equipe de produção preparando a marcação e já abastecida com blocos (obra residencial).

Quando se fala em abastecimento de frentes de serviço, estamos falando de planejamento, o abastecimento das frentes de serviço é apenas um item que faz parte do universo do planejamento de uma obra.
A área de apoio logístico vem ultimamente ocupando mais espaços nas fases de orçamentos, planejamento e finalmente começa a fazer parte da operação, ou seja, muitas obras já começaram a ter o profissional de logística na produção, e umas das atividades que vem tomando destaque dentro dos canteiros e a preocupação no abastecimento das frentes de serviço.

Na obra do shopping ocorria muitas atividades paralelas como alvenaria, estrutura metálica, caixilhos, pré-moldados, elétrica, hidráulica, ar condicionado, escadas rolantes dentre outros. Por mais que essas atividades estavam ocorrendo em setores diferentes da obra, as paradas na produção de frentes de serviços eram constantes.


Atividades acontecendo simultaneamente, escavação, movimentação materiais, posicionamento de lajes.

Essas atividades muitas vezes sofriam parada de produção, motivos esses muitas vezes por falta de equipamento, material, mão de obra, atividades interrompendo acessos principais, equipamento sobre a gestão de um único engenheiro que muitas vezes esse engenheiro era responsável por um setor especifico da obra, sendo assim ele simplesmente priorizava a sua atividade.
Sabemos que hoje na maioria das obras de grande porte existe a divisão do canteiro em setores para facilitar toda a gestão geral da obra, é claro que cada engenheiro vai abastecer a sua frente de serviço, o que acaba acarretando em conflitos com relação a uso de equipamentos, frente de serviço parada por falta de materiais etc...

Observando como essas atividades eram importantes para o cronograma da obra, foram feitas algumas reuniões junto com a produção para solucionar esses possíveis gargalos e conflitos internos.
Dentre essas reuniões foi determinado que a partir daquele momento todos os equipamentos e cronograma de abastecimentos da obra deveria ficar na responsabilidade do departamento de apoio operacional logístico da obra, onde o mesmo realizaria a programação com os engenheiros responsáveis por cada setor, realizaria toda gestão de equipamentos de movimentação e o principal que era comunicar a todos as interferências com relação as atividades principais que poderia interferir o cronograma.

 O departamento de apoio operacional logístico da obra atuava a partir do momento que a carga chegava na obra, a partir desse momento programava-se o abastecimento das frentes de serviço nos setores de cada engenheiro.
   
 


Na visão da diretoria da obra “um profissional focado no abastecimento e distribuição dos materiais e equipamentos na obra é de extrema importância para o andamento da produção, com isso a engenharia começa a perceber a necessidade da programação de abastecimento antecipada e ao mesmo tempo reorganiza todas atividades focadas em engenharia”.
A atividade de gestão logística operacional de obra será sempre interligada com as demais áreas, principalmente com a área de suprimentos que possui a responsabilidade de manter o abastecimento da obra fechando contratos com fornecedores parceiros.

O profissional que vai preparar o planejamento de abastecimento das frentes de serviço nunca poderá ser confundido como almoxarife, pois a função do almoxarife é receber e armazenar e controlar claro existe aquele almoxarife que consegue realizar outras atividades, mas nunca com grandes porcentagens na qualidade, organização e senso de urgência da produção ao todo.
O abastecedor das frentes de serviço deverá ter os olhos no planejamento das atividades da obra, materiais do almoxarifado,equipamentos disponíveis e nas programações da produção. Ele terá que possuir qualidades como senso de urgência, possuir uma ótima comunicação com os engenheiros, fornecedores e subcontratados, terá uma responsabilidade de tomar decisões assertivas onde envolva urgências e sequências de atividades.

Um profissional de logística operacional logístico de obras depende de fornecedores, ele também precisa ser abastecido para poder abastecer, ou seja, muitas vezes ele vai se programar para abastecer uma frente de serviço até as 22:00, mais poderá abastecer as 01:00 da manhã do outro dia por vários motivos, poderia citar alguns como quebra de um veículo de transporte em trânsito, greves, acidente e demais outros motivos, isso acontece com frequência em muitas obras.

A comunicação como já informado anteriormente, deverá ser ampla, clara e objetiva, onde todos os engenheiros devera ter a ciência das atividades que estão ocorrendo em cada setor da obra, justamente para não impactar em outras atividades.

Abastecer a frente de serviço antecipadamente garante uma grande produtividade na obra, isso foi comprovado nesse período de obra. Houve um salto de produtividade significativo durante esse período de operação logística com foco no abastecimento das frentes de serviço.


Como você pode ver, o planejamento e o controle da obra são tarefas fundamentais para garantir que a sua construtora tenha sucesso na execução de projetos. E, por mais que seja algo que demande tempo e dedicação, os benefícios são compensadores.



Autor: Alexandre da Silva - Especialista logístico de obras.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

ALGUNS DESAFIOS LOGÍSTICOS NA CONSTRUÇÃO DE AEROPORTOS.



Aprofundar-se em questões complexas como a construção de aeroportos é um desafio para alguns profissionais de diversas áreas. Apoiar decisões importantes, envolvendo investimentos vultosos que contribuem para o desenvolvimento do país é sempre empolgante. O gestor de obras deve preparar-se para lidar com infraestrutura complexas.
Quando se fala de aeroportos obras ou expansão toda a equipe da obra se esforça para encontrar soluções nas mais diversas dificuldades do dia a dia, onde qualquer decisão errada pode impactar brutalmente no cronograma.

De acordo com alguns especialistas nesse modelo de obra, os projetos de aeroportos são mais complexos por envolverem muitas disciplinas. Algumas ‘puxam’ o projeto e outras o complementam. Geometria, terraplanagem pavimentação, arquitetura e urbanismo são as disciplinas que definem o projeto. Em seguida vêm as complementares, mais específicas, que são a drenagem, elétrica, eletrônica, telemática, hidráulica e auxílio da navegação. Essas não direcionam o projeto, mas vêm a reboque das outras disciplinas maiores.

É importante lembrar que, atualmente, há uma preocupação muito grande com o meio ambiente, o que não acontecia há tempos. O processo inteiro, desde quando começa o projeto até a parte de entrega, é norteado pela atenção à proteção ambiental. Não dá para dizer que é uma disciplina, pois o assunto não chega a gerar um projeto. Mas todas as áreas estão sendo alteradas para se adaptarem às exigências ambientais. Para o tratamento de águas pluviais, por exemplo, é preciso pensar logo no início do projeto em como captar a água da chuva contaminada com óleo de aeronaves e caminhões para tratamento posterior.

Todas as disciplinas que participam do projeto geral do aeroporto exigem dos projetistas alguma experiência com esse tipo de obra. Mesmo que seja uma disciplina complementar, o técnico precisa saber o que acontece no aeroporto para ter uma boa atuação. Geometria, arquitetura e urbanismo, pavimentação e auxílio da navegação são as quatro disciplinas que exigem especialistas no tema, caso contrário à obra não sai. Para as demais, os projetistas podem ter uma capacitação básica desse tipo de empreendimento para realizar o trabalho.

Por exemplo, drenagem e terraplanagem, apesar de serem realizadas para um aeroporto, compartilham muito dos princípios de qualquer outro empreendimento. Sabendo um pouco sobre o funcionamento e a operação do aeroporto, o profissional consegue desenvolver bem a tarefa, mesmo sem ter muita especialização. Já o gestor de logística precisa ter conhecimento e experiência na área de movimentações, transporte e distribuição dentro da construção civil. O aeroporto é um sistema muito específico, com muitos interessados envolvidos. A gestão logística depende de conhecer como ele funciona e o que deve ser prioridade em cada momento.

Mas a ideia dessa matéria e comentar alguns pontos onde a logística atua fortemente.
Apesar do progresso vivido nos últimos anos, o setor da construção civil ainda é um dos setores com índices de desperdícios em todas as fases da obra tanto na estrutura quanto no acabamento, e esses assumem formas variadas, com origem nas diversas etapas do processo da construção o que demanda planejamento sistemático de todos os processos e recursos de uma obra.

Entretanto, dispor de elementos que garantam a qualidade no gerenciamento da obra não é suficiente para garantir a qualidade na execução da obra. A logística em conjunto atua fortemente nas atividades como programação de entregas, movimentações de máquinas, posicionamentos de áreas para armazenamento, licenças, autorizações, projetos de acessos de maquinários e pessoas, layout de canteiro, sendo assim cada obra complexa precisa ser acompanhados de perto por um profissional que entenda e que de foco nessas atividades, antes ignoradas por muitas construtoras.

Dividindo em fases as operações logísticas em obras podemos ter como ponta pé inicial o estudo do planejamento de áreas de vivencia, planejamento de áreas de armazenamento, planejamento de sinalizações nas vias internas e externas, programações de recebimento e transporte, gestão de equipamentos interno ao canteiro e externo, acompanhamento nas movimentações de cargas especiais sempre atendendo as normas, as fiscalizações federais, municipais que muitas vezes exigem projetos, licenças, alvarás, controles rígidos.
Trabalhar em áreas federais exige uma disciplina muito rigorosa principalmente quando o assunto é entrada de materiais.
Em muitos casos de obras de aeroportos, sempre existe uma empresa especialista em gerenciamento, nesse caso muitas exigem projetos de sinalização externo e interno a obra.
O canteiro de obra deverá ser bem sinalizado isso garante uma segurança e organização nos fluxos de movimentações de pessoas, materiais e equipamentos na obra.
Outro fator que costumar acarretar muito stress nas obras é sobre o uso dos equipamentos, uma obra de aeroporto costuma-se ter no mínimo de 3 a 4 mestres e um número razoável de encarregados, divididos esses por setor, vai de cada obra de aeroporto, nesse caso a função do responsável da logística é simplesmente planejar e distribuir os equipamentos para as atividades diárias de cada mestre ou encarregado, isso evita conflitos entre mestres e áreas, sendo assim cada mestre se responsabiliza por fazer sua programação junto ao responsável dos equipamentos.

GESTÃO DE EQUIPAMENTOS.

Aquela história onde cada engenheiro ou mestre cuida do seu equipamento, já está ultrapassada em construções pesadas. Hoje as grandes construtoras possuem em seu efetivo um responsável para coordenar todas as operações de movimentação e transporte internamente e externa ao canteiro de obras, isso faz com que a  comunicação seja rápida e objetiva no caso de uma parada de equipamento ou atividades em áreas onde possui muitas atividades conjuntas. Um responsável pelos equipamentos facilita a comunicação entre fornecedor x obras x operadores, sem contar na redução de conflitos internos referente a uso dos equipamentos. Podemos dizer que infelizmente a comunicação interna nos canteiros de obras é muito defeituosa.

Planejamento e segurança em operações de equipamentos, que há pouco tempo eram temas secundários, se tornaram pauta prioritária devido aos recentes acontecimentos que evidenciaram de maneira negativa o setor da construção. No Brasil, as estatísticas sobre mortes em acidentes nos canteiros ainda são um tanto obscuras por falta de dados registrados oficialmente. Porém, especialistas apontam que mais de 90% das ocorrências são causadas por falha humana.

Pela falta de regulamentos e procedimentos técnicos atualizados para atender às operações complexas, algumas empresas recorrem às normas estrangeiras ou eventualmente criam as suas próprias. Com isso, a produtividade nas obras é seriamente afetada com o risco iminente de acidentes envolvendo operadores de máquinas pesadas ou mesmo daquelas consideradas mais simples, que são as de linha amarela.

Com a nova dinâmica de mercado consequente da avalanche de projetos e obras previstos para os próximos anos, o setor começa a sentir a pressão por investimentos para formar pessoas mais capacitadas e também para atender à demanda de um segmento pouco visado por programas educacionais no Brasil, que é o de operador de máquinas.

Entre os pré-requisitos para atuar como operador, não é exigido um alto nível de escolaridade, porém ser um engenheiro com formação acadêmica em engenharia civil, mecânica, de segurança ou outra área ligada à construção pesada representa um grande diferencial nos recrutamentos. Colocar um profissional em um equipamento sem o devido treinamento é o mesmo que dar uma arma a alguém.

De acordo com o Instituto Opus, programa da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção) dedicado a formar, capacitar e certificar operadores de equipamentos pesados para a construção civil, de 2009 até hoje o mercado demandou uma média de 54.000 operadores por ano.

Os reflexos da falta de profissionalização na área também podem ser visualizados até mesmo na equiparação dos salários. A faixa salarial de um operador pode variar de 1.000 a 25.000 reais. Entre as questões variantes para essas desigualdades estão o tipo de máquina, o local da obra, a empresa contratante e o tempo gasto para o trabalho.

Os preços dos cursos também variam de acordo com a duração ou com os equipamentos envolvidos. Treinamentos para operação de máquinas de grande porte, como guindastes, por exemplo, chegam a custar até 3.000 reais. Grandes empresas investem significativamente em capacitação, incluindo o uso de simuladores no treinamento de seus colaboradores e também buscando parcerias com qualificadores para ter mais qualidade na formação dos funcionários.

Principais causas de acidentes envolvendo operadores de máquinas:

1- Falha no planejamento

2- Falta de supervisão

3- Baixa qualificação de operadores

4- Alta carga horária de trabalho

5- Complexidade operacional

6- Negligência na operação

GESTÃO DE PROJETOS.

A gestão de projetos de obras de aeroportos se depara com a abrangência superior dos projetos, quando comparados aos de empreendimentos convencionais. No projeto de um aeroporto, estão presentes todas as disciplinas gerais de um empreendimento civil, que são os sistemas pensados para atender as necessidades dos passageiros. Mas, associado a eles, há uma infraestrutura muito complexa, que é o lado aéreo do aeroporto, a preocupação com as aeronaves. Um elemento à parte, ao qual a engenharia civil não está acostumada.

Enquanto a grande preocupação do gestor de projetos de empreendimentos residenciais e comerciais é a obra, no caso de aeroportos é preciso atentar também à operação. Até porque, a maioria das obras é realizada com o local em funcionamento. São obras de ampliação de pistas e de capacidade. Recentemente houve um aumento do número de implantação de aeroportos, mas isso não é comum, porque o aeroporto é um equipamento de vida útil longa. Depois de construído, já começa a operar, não sendo possível paralisá-lo para fazer reformas.

MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS E SEGURANÇA.
A construção da segunda pista prevista para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, por exemplo, teve toda a estrutura de um equipamento novo. Só que não foi possível desconsiderar a atividade atual ou seja uma parte do aeroporto continuou funcionando. O projeto precisava ser feito e como fazer as mudanças necessárias sem afetar o funcionamento. Como são obras de grande porte, que demandam muito investimento, geralmente, são feitas aos poucos, em fases.
Um fator muito comum nas obras de aeroportos é a necessidade de acessar as áreas em uso do mesmo, nesse caso a construtora deverá apresentar um planejamento com inicio e fim de atividades para não atrapalhar o dia dia do aeroporto.

Outro causador de problemas em obras é a quantidade de caminhões que muitas vezes no momento da terraplanagem permanecem ao redor do aeroporto aguardando as movimentações de terra. Esse item muitas vezes propicia um transtorno próximo do aeroporto, causando muitas vezes multas para a concessionaria e empreiteiros, nesse caso o melhor a fazer é programar todas as cargas de entrada e saída durante esse período.
É comum durante um período a obra produzir uma quantidade muito grande de poeira, isso pode afetar a saúde e a visibilidade não só dos funcionários como também da pista. Esse fator acontece no período de movimentação de terra em dias ensolarados. Nesse mesmo momento cabe à construtora programar caminhões com reservatórios de água para espalhar nos locais de grande circulação da obra e assim evitar problemas tanto nas áreas em uso do aeroporto quanto aos funcionários da obra.

É fundamental garantir a qualidade e a segurança, quesitos imprescindíveis em aeroportos. São os fatores mais importantes e que garantem o cumprimento das normas. Se formos olhar a regulamentação da ANAC – Agência Nacional da Aviação Civil – e as internacionais, todas elas têm uma preocupação muito grande com a segurança. Os operadores, as companhias aéreas e os controladores de tráfego atuam para garantir segurança e qualidade. Mas grande parte da segurança encontrada em aeroportos deve vir do projeto. O operador tem muito mais condições de oferecer qualidade e segurança para a aeronave e os passageiros se isso já tiver sido considerado no projeto. Ação preventiva na fase de planejamento é muito mais efetiva que a mitigação, depois, com itens operacionais.

ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO.
Com relação às áreas de armazenamento de materiais nesses canteiros aeroportos, não poderá fugir do modelo de almoxarifado central e secundários devido à extensão da obra, muitas vezes se adota alugar carros utilitários para realizar a distribuição de materiais nos postos de trabalho espalhados pelo canteiro de obra.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

OS MAIORES DESAFIOS LOGÍSTICOS EM CONSTRUIR NOS CENTROS URBANOS.

Replanejar as atividades do cronograma, produção parada, falta de material . Esses são apenas alguns dos sinais de que quando o assunto é centro urbano, o planejamento logístico deverá ser mais apurado.
O planejamento é fundamental! Se a empresa não apostar e decidir acertar tudo na hora da construção o atraso da obra será uma certeza. Na cidade de São Paulo, você não pode receber material na hora, do jeito e na quantidade que desejar, se não houver planejamento para organizar a logística. Sem falar no aumento do custo fazendo com que a obra se torne uma obra picada, que muitas vezes não consegue acabar.

Para evitar atrasos nos serviços e até mesmo paralisação nos canteiros, é preciso prever interferências como tráfego e restrições de horários, além de evitar complicações com a vizinhança.

Cada vez mais as obras têm que lidar com interferências de vizinhos e restrições de horário para a circulação de veículos e funcionamento de equipamentos. Deixar para resolver na obra essas complicações práticas é inviável, pois pode comprometer o ritmo da obra, afetar os vizinhos e até mesmo se mostrar impraticável por conta da legislação.

Quanto mais urbana e densa a área, maior a necessidade de contenção do impacto da obra no vizinho. Isso requer um estudo de Logística rigorosamente detalhado.

A localização da obra é o ponto de partida para definir os equipamentos a serem utilizados, seu tamanho, a quantidade de pessoas na obra, a interferência com os vizinhos, as instalações das concessionárias e mesmo o sistema construtivo utilizado.

Não dá para fazer uma obra num centro urbano sem pensar na logística e no sistema construtivo justamente por que, hoje se escolhem processos que permitam a flexibilidade de horários. É preciso pensar no recebimento dos materiais em horários flexíveis, no volume que vai ser entregue, nas condições para agilizar a descarga e deixar o caminhão menos tempo estacionado.

Desta forma, tornou-se essencial um planejamento logístico completo antes do início da obra. A engenharia logística entra desde a concepção do plano da obra, quando-se desenha todos os principais pontos dentro de um canteiro, em fração de segundos fica claro as interferências que é atualmente identificada somente com a obra em andamento. Esse estudo é feito justamente para minimizar os riscos prováveis, não que eles não possam existir, mas que serão estudados com mais profundidade. 

Uma das principais dificuldades das construtoras hoje  é o suprimento de materiais na obra quando o assunto é centro urbano. Em São Paulo, por exemplo, além da restrição aos caminhões betoneira, que só podem circular de manhã e à tarde, existe a restrição ao tráfego de caminhões pesados em grandes vias de acesso da capital, entre 5h e 21 h. Somado a isso a restrição ao barulho, das 22h às 5h, só há uma pequena janela na qual é possível trabalhar. Hoje uma das possibilidade que as construtoras estão adotando em suas obras é justamente a agenda logística que tem a finalidade de programar as entregas de insumos junto ao fornecedor.

O planejamento de chegada de materiais nesse caso deve ser pensado desde a fase de projeto. Não dá para pensar em um projeto sem pensar na produção, o que vai ser determinante para ajudar a escolher uma solução. A logística de recebimento do material, na sequência e hora certas também é importante, porque se a carga atrasar, você vai ter uma equipe parada. E quando se fala em transporte de material, é preciso pensar na segurança do transporte também. Está tudo interligado.

Muitas construtoras estão optando para utilizar os materiais industrializados, pois proporcionam uma melhor logística de descarga, facilitando a movimentação de caminhões e aumentando a eficiência da obra, além de contribuir com a redução de perdas. Produtos como telas prontas e barras cortadas e dobradas dispensam esses procedimentos dentro da obra, contribuindo para reduzir o ruído.

Outros procedimentos que causam barulho e, consequentemente, transtorno aos vizinhos, são o martelete para corte de rocha, serra de corte de madeira, perfuratriz para implantação de cortina, bombas para elevar o concreto nas lajes.
Uma medida que aperfeiçoa a eficiência da logística na obra, e que vai na vertente da industrialização da construção, é a prática das obras possuir um profissional de logística qualificado que gerencie todos os processos de planejamento e operação logística no canteiro buscando muitas vezes a prática da  mecanização como empilhadeira, grua, guindaste hidráulico, paletização ou mesmo uso de código de barras no canteiro sendo cada vez mais presente, não só por conta das restrições, mas pelas questões de prazo, custo e rastreabilidade dos materiais.

Um ponto importante nas obras urbanas é justamente a descarga ou seja planejar a descarga mecanizada é fundamental nesse caso. Muitas empresas descarregam no "processo a granel", com o operário fazendo várias viagens para descarregar o material do caminhão. Ele poderia receber o material paletizado para ser transportado com uma manipuladora ou grua evitando o desperdício e acabando com esse tipo de trabalho desqualificado e assim ganhando mais tempo para programar novas cargas.
Um outro ponto a observar em obras urbanas é a quantidade de rede elétrica, muitas obras ficam entre prédios residenciais e  casas onde muitas vezes essas redes interferem na entrada de caminhões, muitas vezes esses caminhões transportando equipamentos de grande porte como por exemplo uma carreta com escadas rolantes ou simplesmente caminhões que transportam caçambas para entulho. Em muitos casos esses detalhes só são percebidos no momento que a carga chega na obra.

As preocupações da logística nas  obras urbanas não param por aí. Suas responsabilidades também incluem a redução do consumo de materiais e recursos naturais e da produção de resíduos. O processo poderá se sofisticar ainda mais no futuro, quando todas as potencialidades da modelagem de informação para a construção, também conhecida pela sigla BIM, forem incorporadas no dia a dia das empresas envolvidas na concepção e execução dos empreendimentos. Mas ainda falta um amadurecimento do meio técnico brasileiro. 
Primeiro, padronização no Brasil é quase um tabu. Enquanto o mundo inteiro padroniza materiais, isso não ocorre aqui. Então, fica difícil ter um banco de dados e uma biblioteca para projetar. Sofremos muito por essa falta de padronização. Também existe dificuldade de acesso ao software de modelagem, ou por custo, ou por incompatibilidade com equipamentos. O BIM exige equipamentos caros, com maior capacidade de armazenamento de dados, e o preço alto da ferramenta é impeditivo para escritórios e empresas menores.
Podemos citar um exemplo a Construtora Mortensom, precursora do uso do BIM nos empreendimentos verticais, está obtendo resultados satisfatórios com o uso do conceito em projetos do sistema de infraestrutura enérgico em uma usina eólica de energia,entendemos que essa obra não é no centro urbanos mas o sistema com o uso do BIM faz refletirmos sobre como o sistema venho para contribuir em todos os aspectos. Esse tipo de empreendimento geralmente é construído em locais de difícil acesso e onde o atendimento às demandas do canteiro de obras é restrito. Além disso, esse tipo de construção precisa de agilidade, já que o período para sua construção abrange o tempo de uma estação do ano.
Com a utilização do BIM, todo o contexto para a implantação foi analisado, desde o local para disposição dos resíduos, implantação do canteiro de obras e definição dos trajetos que serão utilizados para o deslocamento dos equipamentos. Com esse planejamento, a construtora conseguiu reduzir, de 3 hrs para 2 hrs, a área necessária para a implantação de cada torre eólica em uma de suas obras. Em locais com restrições ambientais, essa otimização é de extrema importância.
Outro ponto ressaltado pela construtora é o planejamento: a quarta dimensão do BIM. Ele é um componente importante do projeto, já que o recebimento de matéria deve ser cuidadosamente planejado para que os materiais sejam colocados no local certo e na sequência adequada. Com um sólido planejamento, a construção segue quase um processo de linha de montagem, onde cada parte do processo de construção é modelada.
A disponibilização e fácil acesso dos dados do projeto aos colaboradores, além do planejamento ser revisto diariamente nas reuniões, também foram vantagens elencadas. Os modelos gerados no BIM também são usados para a coordenação de sistemas. Como por exemplo, a instalação elétrica de uma torre, que pode ser de 100 m de altura, geralmente possui conflito com a armadura estrutural significativa necessária nas fundações, o que pode ser evitado com a interação entre os projetos do empreendimento. 

Alexandre da Silva.







segunda-feira, 14 de setembro de 2015

ENTREGAMOS A OBRA! DESMOBILIZAMOS O CANTEIRO, ONDE ESTÃO OS MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS?


 Analisar processos, refazer cálculos esse é o grande momento. A situação econômica  que aflige o país, apresenta diferentes resultados para diferentes mercados, e que força as empresas  a se adaptarem e replanejar suas diferentes áreas e processos justamente para garantir a saúde dos negócios. Mas existem  processos que não são percebidos, como por exemplo o processo de desmobilização de um canteiro de obra. Você já parou para analisar como ele é complexo? A sua complexidade vai desde do momento de desmontar as áreas de vivência conforme efetivo da obra, até  destinar todos os resíduos que possam atrapalhar uma entrega. O que não devemos esquecer que no meio dessa desmobilização existem equipamentos, mobiliários e ferramentas com altos valores e que todo esse material pertence a empresa e é a mesma que delega essa responsabilidade de cuidar aos seus usuários, ou seja ao engenheiro e seus subordinados. No desespero e calor do momento de uma desmobilização, esse pensamento é muitas vezes é ignorado por muitos. É normal visitar algumas obras e nos deparar com  alguns equipamentos e mobiliários como geladeiras, televisores, aparelhos de ar- condicionado, cadeiras, computadores e laser rotativos, que simplesmente estão em situações degradantes ou simplesmente foram extraviados durante a obra. É visível que exista uma certa dificuldade na gestão desses patrimônios.Entendemos que muitas vezes esse custo aparece como elemento surpresa no orçamento final da obra. Pequenos detalhes que faz com que a empresa obtenha vantagens competitivas, faz toda diferença nesse momento. Mas a pergunta é, qual o destino desses equipamentos pós obra? Em um dos trabalhos de logística reversa feita em algumas obras, foram constatado que 45% dos mobiliários, ferramentas e equipamentos são extraviados 35% são danificados e descartados no meio dos resíduos,15 % são reutilizados em alguma outra obra  e 5 % são armazenados em um galpão qualquer? A diretoria de obra,tem ciência do descarte desse equipamento? E a área de suprimentos que muitas vezes realizam uma ou mais compras para uma mesma obra do mesmo equipamento,será que alguém controla esses pedidos rotineiros por obra?Um gestor que acabou de finalizar uma obra e não possui ferramenta para começar a próxima, será que é feita a pergunta aonde estão os mobiliários e equipamentos da obra anterior? É como se perguntasse, cade seu kit obra?
                                                                                                                                                      Muitas perguntas e poucas respostas, pois hoje atualmente só pensamos em entregar uma obra a qualquer custo, não que esse não seja um dos principais pontos, mas realizar uma entrega planejada é eficiente faz com que a empresa ganhe financeiramente benefícios em sua próxima obra.

Vamos utilizar como exemplo, um televisor LCD 40" utilizada geralmente em salas de reuniões de obras, escritórios e refeitórios. Uma televisão em uma residência leva em média de  7 a 10 anos para apresentar problemas. A duração de uma obra em si oscila entre 1 ano e meio a 3 anos dependendo do porte da obra, ou seja um mesmo televisor deveria atender no mínimo 2 obras, hoje colocando na ponta do lápis, teríamos  uma redução de R$ 1500,00 a R$2000,00 em um orçamento de uma nova obra, Não é significante? Para algumas pessoas não.

Logística reversa de mobiliários, consiste em reutilizar todos os materiais ferramentas e equipamentos utilizados em uma obra, em outra obra, lembrando que existem alguns equipamentos que perdem suas funcionalidades em certos períodos, como por exemplo computadores, que praticamente renova seus programas exigindo então uma máquina mas moderna e potente para certas atividades. Existe outro fator que é a distância entre obra onde muitas vezes o custo frete não é viável.

Em geral sabemos que no manual de uma obra, se define o administrativo para fazer a gestão desse patrimônio, e sabemos na verdade que o gestor desse patrimônio deveria ser o próprio usuário, ele deverá cuidar e zela por cada equipamento, mobiliário e ferramenta.
Qual seria uma das soluções hoje para eliminar esses índices que atualmente não é percebido; criar um centro de distribuição regional ? Criar um estoque temporário durante as obras? Criar uma área especifica para tratar do assunto? Realizar doações para os funcionários? Realizar sorteios? Leiloa-los? Ou simplesmente deixa como está, pois ainda não é preocupante para minha empresa. Existem diferentes maneiras de tratar esse assunto, basta cada empresa buscar soluções que se enquadre no momento em que ela está passando.
Qual seria a vantagem de controlar esses mobiliários? A resposta é simples, maior gestão financeira da obra, maior controle da área de suprimentos identificando a causa raiz de tantas compras, destinação correta dos resíduos, padronização dos canteiros de obras!
Será que é fácil? Não é fácil, mas não é impossível, se fosse fácil muitas empresas teriam programas voltado para esse momento importante que é o fim de uma obra.
Caso alguma empresa se interesse em elaborar projetos nessa área é importante a participação da diretoria.
Em um futuro breve todas as empresas antes de iniciar qualquer obra, deverá apresentar toda documentação de descarte de resíduos não somente dos entulhos e madeiras, mas em sua totalidade dividida por classe.
 "Em uma visita em um galpão de uma construtora em São Paulo verificamos que nesse local ficava armazenado equipamentos, mobiliários dos stand, mobiliários do escritórios, mobiliário das obras e materiais da assistência técnica. A equipe era constituída de 1 coordenado logístico, 1 auxiliar de logística, 2 ajudantes, 1 motorista e 2 seguranças (diurno e noturno). O Galpão era próprio da empresa.

Outro local visitado foi um centro de armazenamento temporário, que ficava localizado em uma obra em fase inicial. Como era feita a distribuição, existia um funcionário responsável no escritório central; que recebia uma solicitação, ao mesmo tempo esse funcionário comunicava ao motorista via rádio, o motorista realizava o carregamento na obra onde o material estava armazenado e realizava a descarga na obra solicitante. A equipe era constituída de 1 Supervisor logístico e um motorista com um veículo HR.

Outro caso interessante na obra em Brasília, a empresa possuía um programa de segurança do trabalho e os melhores funcionários no programa participavam dos sorteios dos principais equipamentos e mobiliários.

“As companhias prestam muita atenção ao custo de fazer alguma coisa. Deviam preocupar-se mais com os custos de não fazer nada.” (Philip Kotler)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O QUE AS EMPRESAS DEVEM FAZER EM TEMPOS DE CRISE.

Rever o planejamento estratégico, entender exatamente o caminho a ser percorrido esse será um dos fatores iniciais. A crise financeira obriga as empresas a pensar duas vezes quando o assunto é perda do faturamento, aumento das despesas fixas e principalmente no que se refere a gastar dinheiro.
Cortar custos tornou-se palavra de ordem e, neste contexto, não somente um, mas todos os departamentos de uma empresa ficam sem verba para as suas ações. Por quê? Porque para uma grande parte de quem toma decisões o montante aplicado é visto como uma despesa e não como um investimento.
No cômputo geral, demissões, paralisação de projetos, queda nos investimentos e corte do que pode ser colocado em segundo plano é o raciocínio aparentemente lógico para diminuir despesas. Entretanto, a fórmula ou solução ideal pode não ser essa e pede critérios mais específicos.

Entender onde estão os custos e onde se estabelecem os ganhos exige uma visão clara e simplificada das etapas e processos do negócio.

Conhecer com maior detalhe seus funcionamentos permite à empresa avaliar as melhores estratégias e ter mais condições de acertar na forma de trabalhar para atender seus clientes interno e externo.
O Planejamento estratégico Logístico com certeza pode ser a grande aliada nesse momento crítico. Redução de custos corporativos, mudança de processos de negócios e uso da informação, além das atividades diárias de trabalho, faz da Logística uma área de extrema e vital importância para as empresas. Juntamente com a governança corporativa, o uso das ferramentas de analise de processos logísticos em canteiros de obras pode exercer funções essenciais na identificação dos projetos que trarão resultados imediatos, eficiência operacional e competitividade à organização.



Revisar, identificar, levantar, descrever e monitorar processos leva a avaliação e aceleração de necessidades e transparecem informações mais acessíveis, rápidas e positivas a tomadas de decisões corporativas. O BPMN (Business Process Modeling Notation) é uma metodologia e ferramental com o objetivo de gerir os processos levantados, que combinadas adequadamente, ajudam as empresas a alcançarem sua metas.

Trabalhar com o BPMN requer capacidade, entendimento, conhecimento e envolvimento do fornecedor prestador desse serviço. Entretanto para que um trabalho dessa magnitude tenha sucesso e a certeza do resultado esperado, deve haver plena e efetiva participação das pessoas chaves nos processos de negócios da empresa juntamente com seus executivos.

O emprego dessas metodologias de processos alinhadas com os objetivos e a personalidade da empresa, a analise logística é sem dúvida a grande aliada em demonstrar onde estão os fatores que interferem no bom e mau funcionamento dos processos de negócios e onde podem afetar o resultado financeiro da empresa, ainda mas quando o assunto é canteiro de obras.

Quantas vezes percebemos no levantamento dos processos que existe redundância de ações ou informações, agregação de valor ou não a atividade realizada. A fase seguinte a esse trabalho e que pode ser contratado separadamente é a “medição”, ou seja, medir o tempo executado por cada atividade determinando se está ocorrendo gargalo ou afunilamento de tempo afetando a seqüência do processo seguinte. O que ocorre na maioria das vezes é observar área(s) da empresa ociosa ou parada devido a estar aguardando outra(s) área(s) na preparação do produto ou da informação que eles necessitam para dar prosseguimento ao seu trabalho. Um clássico em obras são algumas gerenciadoras que em muitos casos, precisam de uma liberação final do seu cliente, antes de repassar ou liberar alguma atividade para a construtora por exemplo! Esse fato muitas vezes acarreta uma interrupção da produção e consequentemente a atividade sequencial.

Analisando friamente o que podemos tirar de benefício em tempo de crise é enxergar oportunidades de melhoria, realinhamento de atividades e processos na obtenção de sustentabilidade e, acreditar na importância da logística em canteiro de obras aliada à governança corporativa como uma parceira na geração de oportunidade de crescimento para a empresa, criando produtividade e reduzindo os custos.

Por definição, a crise tem começo, meio e fim, e hoje as empresas deve fazer com que a equipe busque o novo em meio a crise.


Alexandre da Silva

Veja nosso próximo tema "Logística reversa de mobiliários e ferramentas de obras".